terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Poesia - Serenata

VITAMINAdeGOIABA está mais vivo e saboroso do que nunca! Após inúmeros meses de interrupção, deixando aflitos seus admiradores, o blog retorna com o poema menos heterossexual mais romântico já publicado por aqui! De quebra, a mais alta tecnologia de telefonia móvel foi utilizada para gerir vídeo de declamação, registrando a imagem do renomado autor do blog e tornando, assim, tudo literalmente mais gostoso.

O poema, em verdade, foi escrito em maio de 2010, mas vinha sofrendo modificações e somente na tarde de hoje foi finalizado. Para uma experiência poética ainda mais deleitosa, ative as legendas automáticas do vídeo e acompanhe os versos transcritos com habilidade pelo YouTube.




Quero que nossa vida seja
Cor e cheiro de jardim
Colorir-te em cerejeira
Perfumar-te em jasmim

Quero assobiar aos passarinhos
Juntinho do meu amor
E beijá-la com carinho
Como faz o beija-flor

Quero ver na primavera
Brancas pétalas de Ipê
E no outono, à luz de velas
Nos amarmos sem porquê

Quero toda noite ainda
Toda noite enluarada
Na janela do teu quarto
Declarar-me em serenata


sábado, 29 de setembro de 2012

O Ciclo


Este vídeo é uma metáfora, um paralelo que traço entre o tempo e a alma, a vida e a morte. Afinal, seria a morte um fim, ou a continuidade de algo ininterrupto? Confesso que senti-me um pouco desconfortável ao fotografar esta temática, mas devemos rejeitá-la, ou encarar a ideia de que ela é uma realidade?

Apesar do teor do tema, o cemitério é um local cheio de vida. Se fecharmos os olhos por alguns instantes, o som constante dos pássaros e o uivo do vento sobre as folhas nos fazem esquecer que tem uma lápide bem do nosso lado. Vi aves que, para serem vistas, há de se percorrer alguns quilômetros para além da cidade, adentro do cerrado. A tranquilidade é tanta que dá até para tirar um cochilo! É um local de muita paz, embora, ironicamente, um sujeito tenha sido morto no Campo da Esperança há algumas semanas.

Não imaginava como fotografaria ao chegar lá. Tentei demonstrar o contraste entre túmulos recém-chegados, e outros já abandonados; entre túmulos de famílias ricas, e de gente humilde. Bem como, independente de crença, o evidente carinho por parte de quem fica.

Abraços, 
Pedro Henrique

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bob, o dono da rua


Bob, também chamado de Jamaica, é uma figura conhecida por quem passa pela W3 Sul. Taxado de louco, costuma ser visto varrendo a avenida ou conversando com as plantas, mas chega a passar horas lendo jornais e revistas, como poucos. Bob é um mistério – não se pode precisar se tem família, ou o seu verdadeiro nome. Ele não fala, apenas gesticula, e é muito desconfiado com estranhos; mas o jornaleiro Romeu Soares, afirma que há cerca de 15 anos Bob vive no que resta da avenida mais famosa da cidade. Certa vez, conta Romeu, uma mulher ficou em prantos ao vê-lo. Dizia ser ex-aluna de Bob, supostamente graduado em Biologia. “Todos os homens são iguais, mas um ex-professor da UnB vivendo nessa situação? É lamentável”, lastimou um transeunte. Bob e a W3 parecem partilhar do mesmo contexto, o abandono por parte do Estado.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Poesia - Cárcere

Preguiça de ler? Deixa que eu declamo pra você



Por te olhar fui condenado
A querer-te a todo jeito
Por querer-te eu fui levado
A enclausurar-te em meu peito

Mas tal é tua liberdade
Dentro dele, que prevejo:
Hei de amar na eternidade
À espera dos teus beijos!

Exilado em sentimentos,
Por grilhões acorrentado,
Fuga alguma eu não me atento:

Hão de amar no sofrimento
Os corações sentenciados
A te ter no pensamento!

O Lençol


Ouça enquanto navega pelo blog!
Não sei a história deste lençol, sei que ele me encobre desde que meu corpo era pequeno. Apesar dos furos e dos fiapos, é o meu lençol predileto. Ele não é muito útil, não aquece, mal encobre toda a extensão do corpo, mas, ainda assim, gosto muito dele. Ganhei muitos outros lençóis imponentes, de fios egípcios, quentes, suntuosos. Mas se minha casa pegasse fogo, e eu pudesse salvar somente um lençol, seria este. Como disse, não sei a sua história, se sou seu primeiro dono, ou a quem pertenceu antes de mim. Mas sei que da minha história ele faz parte, afinal, tanto aconteceu nesses anos todos... Talvez por isso goste dele assim. Certa vez, quando o meu cachorro morreu, tive de escolher algo para envolvê-lo antes de enterrá-lo. Não que o corpo nu desmerecesse a terra pura, mas acredito que seria desrespeitoso, tendo condições de ornamentá-lo, não fazê-lo. Apesar do meu apego por este lençol, o sentimento pelo meu cão era maior. Achei que o meu amigo era merecedor de uma manta valiosa não no quesito material, mas rica de sentimentos meus por ela. Resolvi, então, despedir-me dos dois. É engraçado, na primeira linha o meu lençol não tinha história. Agora tem.

Poesia - Poema das Mães


Preguiça de ler? Deixa que eu declamo pra você


Mãe é verbo a conjugar
No infinitivo do infinito
É amar (sem nada em troca)
É sofrer (por quem se ama)
É perdoar (a cria ingrata)
E amar de novo e novamente
Mãe é ver beleza onde só ela vê
É achar bonito o filho feio
É enfrentar o mundo
Mãe é tristeza por haver uma só
E felicidade pois só uma basta
Mãe é pecado
É avareza
A gente se apega e não quer jamais deixar de tê-la
Mas quando a perde
É virtude
É martírio
A gente morre só pra voltar a vê-la...